Artigo técnico

Simples Nacional Híbrido: como a escolha de setembro de 2026 pode impactar a tributação das empresas em 2027

Simples Nacional Híbrido: como a escolha de setembro de 2026 pode impactar a tributação das empresas em 2027

A implementação da Reforma Tributária entra em uma nova etapa em setembro de 2026, quando microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP) optantes pelo Simples Nacional terão pela primeira vez a possibilidade de escolher entre permanecer no modelo tradicional ou aderir ao chamado Simples Nacional Híbrido.

Embora a decisão produza efeitos somente a partir de janeiro de 2027, especialistas alertam que essa definição exigirá planejamento tributário, simulações financeiras e análise detalhada do perfil de cada empresa. A escolha poderá influenciar diretamente a carga tributária, o aproveitamento de créditos e a competitividade dos negócios.
 

O que é o Simples Nacional Híbrido?

A modalidade surgiu com a regulamentação da Reforma Tributária promovida pela Lei Complementar nº 214/2025, que adaptou o regime do Simples Nacional à criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).

Na prática, o novo modelo permite que empresas optantes pelo Simples continuem recolhendo tributos como IRPJ, CSLL, CPP e IPI por meio do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS), enquanto o IBS e a CBS passam a ser apurados separadamente, seguindo regras semelhantes às aplicadas às empresas enquadradas no regime regular.

Essa possibilidade representa uma mudança significativa na forma de tributação das pequenas empresas e amplia as alternativas de planejamento fiscal.
 

Reforma Tributária altera a lógica do Simples Nacional

A Emenda Constitucional nº 132/2023 redefiniu a tributação sobre o consumo no Brasil ao substituir tributos como ICMS, ISS, PIS e Cofins pelo modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA Dual), composto pelo IBS e pela CBS.

Com a regulamentação da transição, foi criada uma alternativa que não existia na legislação original do Simples Nacional: a separação da apuração dos novos tributos sobre o consumo em relação aos demais impostos incluídos no DAS.

Essa alteração abre espaço para decisões estratégicas que deverão considerar não apenas a carga tributária, mas também o perfil dos clientes, fornecedores e a estrutura operacional da empresa.
 

Setembro de 2026 será decisivo para empresas e escritórios contábeis

O mês de setembro de 2026 marcará a primeira janela oficial para manifestação da opção pelo Simples Nacional Híbrido.

A escolha realizada nesse período produzirá efeitos durante o primeiro semestre de 2027, tornando indispensável que empresas e escritórios de contabilidade iniciem suas análises com antecedência.

A recomendação é que o planejamento comece ainda no primeiro semestre de 2026, permitindo avaliar cenários tributários, revisar contratos comerciais e identificar eventuais impactos financeiros antes da formalização da opção.
 

Aproveitamento de créditos pode ser fator decisivo

Um dos principais pontos de atenção envolve a possibilidade de geração e aproveitamento de créditos tributários.

Empresas que comercializam produtos ou prestam serviços para clientes tributados pelo regime regular poderão se tornar mais competitivas caso consigam transferir créditos integrais de IBS e CBS.

Esse aspecto tende a ganhar relevância principalmente nas relações entre empresas (B2B), especialmente nos segmentos industriais, de serviços especializados e cadeias produtivas nas quais o crédito tributário influencia diretamente o custo final das operações.

Para organizações cuja receita depende fortemente desse perfil de cliente, a análise sobre a adoção do modelo híbrido passa a ter caráter estratégico.
 

Mudança também pode aumentar a carga tributária

Apesar das oportunidades, a migração para o Simples Nacional Híbrido não representa vantagem automática.

Empresas que não possuam estrutura adequada para controlar créditos, apurar corretamente os novos tributos ou administrar as obrigações acessórias poderão enfrentar aumento da carga tributária e maior complexidade operacional.

Esse risco reforça a importância de estudos individualizados antes da tomada de decisão.

Não existe uma solução única que sirva para todos os contribuintes. A conveniência da migração dependerá da atividade econômica, do volume de compras, do perfil da clientela, da margem de lucro e da organização fiscal de cada empresa.
 

Planejamento tributário será indispensável

A escolha entre permanecer no Simples Nacional tradicional ou aderir ao modelo híbrido deverá ser baseada em projeções financeiras e simulações tributárias.

Entre os principais pontos que merecem análise estão:

Perfil dos clientes

Empresas que atendem predominantemente consumidores finais podem apresentar resultados diferentes daquelas que negociam com outras pessoas jurídicas que aproveitam créditos tributários.

Estrutura de custos

Negócios com elevado volume de aquisições tributadas poderão se beneficiar de uma gestão mais eficiente dos créditos de IBS e CBS.

Capacidade operacional

A nova sistemática exigirá maior controle fiscal, processos internos mais robustos e sistemas preparados para atender às novas exigências da Reforma Tributária.
 

Cronograma exige preparação antecipada

A regulamentação estabelece que a primeira opção pelo Simples Nacional Híbrido ocorrerá em setembro de 2026.

Até lá, escritórios contábeis deverão desenvolver um cronograma de trabalho que contemple:

  • análise da regularidade fiscal dos clientes;
  • levantamento do perfil tributário de cada empresa;
  • simulações comparativas entre os regimes;
  • avaliação dos impactos financeiros;
  • orientação para a escolha mais adequada dentro do prazo estabelecido.

Essa preparação antecipada permitirá decisões mais seguras e reduzirá riscos de escolhas inadequadas.
 

Regulamentação ainda terá novas definições

Embora a Lei Complementar nº 214/2025 tenha estabelecido as diretrizes gerais, alguns procedimentos operacionais ainda dependem de regulamentação pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN).

Entre os pontos aguardados pelo mercado estão a forma de formalização da opção, regras operacionais e procedimentos complementares para a implementação do novo modelo.

Por esse motivo, empresas e profissionais da área tributária devem acompanhar atentamente as próximas publicações oficiais.
 

Insight estratégico

O Simples Nacional Híbrido inaugura uma nova fase do planejamento tributário das micro e pequenas empresas. A decisão de setembro de 2026 não deve ser tratada como uma simples opção cadastral, mas como uma escolha estratégica capaz de influenciar custos, formação de preços, competitividade e fluxo de caixa. Escritórios contábeis que iniciarem desde já a análise individual de seus clientes estarão mais preparados para oferecer recomendações técnicas consistentes e gerar valor consultivo em um dos momentos mais relevantes da transição da Reforma Tributária.

 

Autor(a) do artigo

Equipe Técnica Cursos Módulos

Cursos online por assinatura

Transforme atualização em rotina com o MódulosPlay

Mais de 2.000 horas de cursos, certificado digital e acesso a uma ampla biblioteca de conteúdos profissionais.

Plataforma de cursos online Módulos Play

Sobre Nós

Somos uma empresa que apoia o desenvolvimento profissional, e estamos em pleno processo de expansão e aproximando-se da liderança em cursos e treinamentos no país.

Newsletter

Receba nossa Agenda Mensal

Ao concordar com a política de privacidade você aceita receber e-mails da Cursos Módulos com informativos de cursos, agendas e promoções.

Nossos Contatos

Av. Brigadeiro Luís Antônio, nº 2729
Torre Brigadeiro - Conjuntos 1301 a 1307
São Paulo - SP

2026 © Copyright - Todos os direitos reservados
M&D CURSOS E TREINAMENTOS, CONSULTA, ARMAZENAMENTOS E PROCESSOS DE DADOS LTDA - EPP
CNPJ 20.666.918/0001-81 / D-U-N-S® Number 903422386